Doutora Gynalda ou Gy é uma carentóloga de plantão que fala de maneira bem humorada sobre relacionamentos amorosos. Levou um fora ? Está de baixo astral ? Quer apenas se lamentar? Então, Queridona ou Queridão, escreva um e-mail para a Gy e conte a sua história: doutoragynalda@gmail.com
No blog das Calcinhas homem também tem vez. Afinal, a Gynalda não é nenhuma filósofa, mas bate um bolão em assuntos do coração.






terça-feira, 23 de outubro de 2007

Calcinha no banheiro

Passava da meia-noite quando Sérgio Otávio foi levar Fernandinho e Lucinéia até a portaria do prédio. Despediram-se com entusiasmo:
-Foi um prazer ter vocês jantando na minha casa.
- O prazer foi nosso. A Lúcia Helena é muito simpática. A próxima vai ser lá em casa. Até segunda, Serjão!
- Até segunda. Vão com cuidado.
Quando entrou no apartamento de sala e quarto, Lúcia Helena lavava a louça do jantar. Sorridente, Sérgio Otávio abraçou a esposa pela cintura e comentou:
- O que você achou do Fernandinho e da mulher dele? São simpáticos, né?
- Muito. Vocês trabalham juntos há quanto tempo mesmo?
- Uns dois anos, mas agora que a amizade estreitou. Bom colega de trabalho. Tava devendo um jantar a ele.
- Da próxima vez, antes de oferecer um jantar para seus amiguinhos de trabalho, me avisa, tá?
- Lá vem você com reclamação. Depois a gente conversa. Tô apertado!
Saiu correndo. Assim que entrou no banheiro, Lúcia Helena ouviu o marido gritar:
- Ah não! Não acredito nisso!
- O que foi Sérgio Otávio? Fala baixo, vai acordar os vizinhos! O que aconteceu?
Sérgio Otávio saiu do banheiro com uma calcinha preta na mão:
- O que significa isso?
- Ué....não reconhece? Minha calcinha.
- Eu sei que é sua calcinha. Mas estava pendurada no box do lado de fora.
- E daí?
- E daí que o Fernandinho foi ao banheiro e viu sua calcinha à mostra. Escancarada.
- Qual o problema? É só um pedaço de pano. A mulher dele também usa calcinha.
- Mas essa calcinha não é da mulher dele. É sua!
Com ar debochado, Lúcia Helena ironizou a preocupação do marido:
- Tá limpinha. Lavadinha.
- E se ele pegou sua calcinha e esfregou no corpo enquanto fazia xixi?
- Você faria isso com a calcinha da mulher dele?
- Claro que não! E não muda de assunto. A melhor defesa é o ataque. Você já imaginou se ele esfregou essa calcinha preta e ainda por cima cavada no...?
Lúcia Helena interrompeu as divagações do marido. Jamais imaginaria crises de ciúme por causa de uma calcinha:
- Vai dormir! Você bebeu demais!
Com raiva da discussão sem sentido, arrancou a calcinha da mão do marido:
- Me dá isso aqui! Deixa eu colocar no enxugador. Chega, acabou a discussão! Esse bate-boca não tem sentido. Coisa de bêbado.
- Não estou bêbado! – E continuou: – Você já imaginou o Fernandinho passando a SUA CALCINHA no ...????
Lúcia Helena tapou os ouvidos e foi em direção ao quarto gritando:
- De novo? Chega Sérgio Otávio! Não quero mais ouvir seus delírios.
Ele foi atrás:
- Como fica minha cara no trabalho segunda- feira?!
- O que é que tem a sua cara?
- O Fernandinho trabalha na mesa em frente.
- E eu com isso!
-Imagina ele olhando pra mim e pensando “já esfreguei a calcinha da mulher desse otário no meu corpo”.
- Antes esfregar a calcinha do que outra coisa.
- Todo homem é tarado. Você sabe.
- Eu sei? Então quando você vai dormir não leva a sua tara pra cama.
- Não me venha com ironia. Você deixou a calcinha no banheiro só para me irritar, porque foi para a cozinha sábado à noite.
- Paranóia sua. Esquecer calcinha no banheiro não é crime.
- Mas logo no dia que uma visita do trabalho vem pela primeira vez na nossa casa?
- Poupe meus neurônios! Não falo nada quando você esquece de levantar a tampa do vaso e mija a tábua toda.
- Não me venha com acusações. Estamos conversando sobre a sua calcinha.
-Você precisa procurar um psiquiatra urgente e um que entenda de calcinha!
- Vai me dizer que estou errado? Existe coisa mais suburbana do que calcinha jogada no banheiro? Hein, me diga!
- Eu reclamo da sua sujeira quando você janta e não lava o prato? Reclamo?
- Nada é pior do que calcinha pendurada no banheiro!
- Ah não???? E as suas cuecas velhas que sou obrigada a pendurar no enxugador? E quando você coçou o saco na frente de todo mundo no churrasco da minha irmã?
- Não muda de assunto . O que você fez comigo foi sacanagem . Todo mundo no meu trabalho vai saber que você usa calcinhas cavadas.
- Pede demissão e procura um emprego onde ninguém tenha visto minha calcinha. Aliás, melhor cavadas do que ciroulão. Seria pior se tivesse furada!
- Não quero a calcinha da minha mulher na boca dos meus colegas de trabalho.
- Sabe do que mais, Sérgio Otávio?
- O quê?
- Esse assunto esgotou! São quase duas da madrugada. Tratado filosófico sobre calcinha, a essa hora, não! Chega!
Lúcia Helena foi até o enxugador e pegou a calcinha. Antes de entrar no quarto colocou a calcinha na mão do marido:
- Sabe do que mais? Você vai dormir no sofá e com essa calcinha na mão. Boa noite, Sérgio Otávio!
Bateu a porta do quarto e trancou a chave.

Outros contos de minha autoria podem ser lidos no :
http://www.comunique-se.com.br/

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